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Cidades Inteligentes: a jornada do discurso à prática

16 Abr 2018 - Por: Daniel Merege


A palavra já se tornou buzzword, hype, termo da moda, ou coisa do tipo. Cidades Inteligentes (ou Smart Cities) é um termo cada vez mais ouvido e visto nas apresentações de consultorias, no discurso de políticos, em artigos (como este próprio), e em nome de eventos e congressos de visibilidade nacional e internacional.

Mas, apesar dessa importante disseminação de conhecimento, tenho a sensação de que tudo ainda está no campo das ideias, no discurso de encantamento, em iniciativas de pouco impacto e distante das necessidades reais das cidades, que pouco tem sido visto na prática. Aliás, pelo próprio apelo futurista e de evolução, as Cidades Inteligentes atraem diversos atores sócio-econômicos no mundo, que infelizmente pouco fazem de concreto para transformar palavras em ações.

Somente questionar o status-quo, no entanto, vai reforçar esse ciclo vicioso de sustentação do discurso, e não vai ajudar muito a melhorar esse cenário. A pergunta que me faço a partir daqui é: como sair do discurso para a prática quando o tema é Cidades Inteligentes? Em outras palavras, como de fato extrair valor das tecnologias emergentes de informação e comunicação para melhorar a vida do cidadão e tornar a gestão urbana mais eficiente e inteligente?


A Jornada CityTech: da Cidade Digital para a Cidade Cognitiva

Indignados com essa imensa desproporção entre discurso e prática, nós na CityTech resolvemos aproveitar nossa expertise no assunto para oferecer uma jornada de transformação das cidades, começando pelo primeiro estágio, Digital, passando pelo estágio Inteligente até alcançar o estágio Cognitiva.

Iremos escrever um artigo detalhado para cada um desses estágios, em uma série de artigos chamada Jornada CityTech: do Digital ao Cognitivo. Para este primeiro texto, daremos uma breve ideia do que consiste cada uma das etapas desta jornada.


A Cidade Digital

O primeiro passo na jornada é incorporar a tecnologia da informação e comunicação para a cidade, sua infraestrutura, seus serviços e sua gestão. A cidade, para galgar as etapas seguintes da jornada, precisa ter uma infraestrutura tecnológica de base, que permita conectividade, sensoriamento e digitalização. O produto desta fase é um ambiente tecnológico pronto para digitalizar processos, automatizar sistemas públicos, capturar dados urbanos e permitir que novas soluções urbanas sejam desenvolvidas.


A Cidade Inteligente

Uma vez criado o “terreno tecnológico”, chegou a hora de integrar os serviços urbanos, agora digitais. Aliás, integração é a palavra que define a fase Inteligente de uma cidade, na medida em que é a troca automática de dados entre sistemas urbanos e a geração de informações a partir dele que permitem à gestão pública e aos cidadãos entender o contexto urbano e se comunicar, com o principal objetivo de melhorar a qualidade dos serviços públicos, em todas as esferas, e utilizar de maneira mais eficiente os cada vez mais escassos recursos da cidade.


A Cidade Cognitiva

Com uma cidade melhor e mais eficiente, é chegado o momento de extrair conhecimento e insights dos dados produzidos pelo ambiente urbano, para criar um sistema de aprendizado e de memória urbana, com o objetivo de fazer os próprios sistemas da cidade agir de maneira inteligente e autônoma, e responder dinamicamente aos desafios urbanos. Além disso, com a comunicação em um estágio avançado de maturidade, governos e cidadãos atuam engajados e em consonância para que a cidade evolua e traga para a realidade o tão sonhado bem-estar e qualidade de vida para as pessoas. Resiliência urbana e sustentabilidade são aqui os objetivos-chave desse último estágio da jornada de desenvolvimento das cidades cognitivas.


E a prática?

No Brasil, é possível encontrar iniciativas prática existentes principalmente no estágio Digital. Instalação de sensores em postes de iluminação pública, política de dados abertos, rede de fibra óptica e serviço de wi-fi gratuito são exemplos de ações dentro do primeiro estágio de maturidade, mas ainda aquém do estágio Inteligente, apesar de sua reconhecida importância para a jornada.

Para avançarmos rumo às Cidades Inteligentes e Cognitivas, é preciso ter uma visão estratégica de cidade no curto, médio e longo prazo, interagir fluidamente com os cidadãos, entender os investimentos e retornos esperados para cada uma das ações, e ter um método ágil de trabalho para desenvolver uma cidade tendo a tecnologia como aliada.

Já se foi o tempo de encarar todos os projetos de interesse público como obras faraônicas, que são grandiosas, caras e demoradas. A mesma tecnologia que traz o avanço para as cidades também muda a forma como a gestão pública deve pensar a execução de projetos de Cidades Inteligentes, na medida em que vale mais a entrega contínua de valor para o cidadão do que a inauguração de um projeto de grandes dimensões que, quando demorado, pode não atender mais às necessidades da população, tornando-se rapidamente obsoleto.

Fique ligado nos próximos artigos da série, para entender em profundidade - e na prática - cada um desses estágios. Junte-se à nós nessa jornada!

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